Com que pretensão levantamos custosamente de nossas camas em dias como esse de segunda-feira nublada, fria e chuvosa, ás 7 horas da manhã, após ter chorado desesperadamente a noite inteira e tendo que lidar consigo mesmo dentro da mente?
Com que pretensão pessoas como você e eu continuam tentando se enquadrar nessa paisagem distópica?
e estou indo. me esvaindo. subindo na atmosfera. evaporando.
segunda-feira, setembro 23, 2013
quinta-feira, março 07, 2013
o ser.
eu costumava ser outra pessoa. alguém sem medos perturbadores. alguém que não paralisava diante de uma situação que necessitava de uma resolução rápida.
eu costumava ser mais eu do que sou hoje. e o que sou hoje não me agrada.
e como nós vivemos assim? sem agradar a nós mesmos? sem alcançar nossas próprias expectativas.
como nós vivemos, sentindo pena, ódio e arrependimento de ser o que é.
o ser é o que nos move. o ser é o que nos faz levantar todo dia da cama e acreditar que temos o poder sobre nossas vidas, e que tudo correrá bem.
há tempos não sei o que é isso. andar com os próprios pés.
fico querendo fazer da verdade dos outros algo no qual eu deva me apegar para poder viver.
não é bem por ai, certo?
e ando assim. me perdendo em uma cabeça que não é minha. dançando com os pés em passos que não são meus. abraçando com calor e braços que não correspondem ao meu ser.
quero ser
em meu ser
mais eu.
eu costumava ser mais eu do que sou hoje. e o que sou hoje não me agrada.
e como nós vivemos assim? sem agradar a nós mesmos? sem alcançar nossas próprias expectativas.
como nós vivemos, sentindo pena, ódio e arrependimento de ser o que é.
o ser é o que nos move. o ser é o que nos faz levantar todo dia da cama e acreditar que temos o poder sobre nossas vidas, e que tudo correrá bem.
há tempos não sei o que é isso. andar com os próprios pés.
fico querendo fazer da verdade dos outros algo no qual eu deva me apegar para poder viver.
não é bem por ai, certo?
e ando assim. me perdendo em uma cabeça que não é minha. dançando com os pés em passos que não são meus. abraçando com calor e braços que não correspondem ao meu ser.
quero ser
em meu ser
mais eu.
domingo, fevereiro 03, 2013
Brás
Miseráveis.
Drogados que davam torneiradas em traficantes, velhos doentes esperando pelo dito fim, prostitutas com erupções na pele, herpes, aids, sífilis e sabe-se lá mais o que.
Gente fodida na vida, sabe?
Todos se encontravam naquele corredor fétido e sujo no Brás, sofrendo e rastejando, revirando-se na imundice alheia.
O resto da cidade era apenas habitada por um imenso silêncio, que brotava da raiz dos prédios vazios, das ruas desertas. Dia ermo, sem cor, sem som, sem vida.
São Paulo era somente o resto de algo...
São Paulo era o que sobrara de mim.
Diante de tais fatos, não havia muito á ser feito além de fechar a janela e esperar a luz da rua cair. Acender uma vela ou duas. Um cigarro ou dez. Como uma criatura amorfa e mal nascida esperar pela noite, onde as coisas só piorariam.
Ela chega. Já são 22 horas. Os sapatos estão sujos de lama. O rosto pálido. Sua forma toda magra.
Tiro os sapatos. Beijo-lhe os pés. Tiro o vestido. Os óculos. Coloco-a para deitar. Acendo outro cigarro. Não posso nem falar. A lágrima está presa no olhar.
O suor empapa os cabelos da testa, os lençóis. A febre vem ai, e ela não aguenta ficar deitada.
Salta, veste meus sapatos e meu casaco. Sai porta á fora. É hora de caçar.
Esperei, nem sei por quanto tempo. Talvez o tempo de mais cinco cigarros.
Ela chega e corre para o banheiro. Ela não iria se matar, ela não ia fazer nada além de bater, esticar e mandar para dentro do cérebro. Depois lamberia o cartão e a pia com prazer.
Ela se aproxima e fica me fitando de perto. Tenta entrar pelo meio de minhas pernas. Eu exito. Eu apenas consigo olhar para aquele rosto que um dia foi bonito, que um dia foi meu. Hoje, só me atento para seu nariz comido, seus olhos fundos, e seu rosto cadavérico como o dos miseráveis lá do corredor. Ela achando lindo, mas eu tenho dó. E um pouco de medo.
Ela se sentindo no poder dessa merda toda e ao mesmo tempo se perdendo de vez.
Abraço-a, com vontade de me tornar parte dela.
Não quero viver para vê-la dando torneiradas em traficantes na Júlio de Mesquita. Talvez eu só queira envelhecer com ela aqui dentro, ouvindo Neil Young e Cat Stevens. Salvando-a do que tem lá no corredor.
Eu só quero te salvar.
Drogados que davam torneiradas em traficantes, velhos doentes esperando pelo dito fim, prostitutas com erupções na pele, herpes, aids, sífilis e sabe-se lá mais o que.
Gente fodida na vida, sabe?
Todos se encontravam naquele corredor fétido e sujo no Brás, sofrendo e rastejando, revirando-se na imundice alheia.
O resto da cidade era apenas habitada por um imenso silêncio, que brotava da raiz dos prédios vazios, das ruas desertas. Dia ermo, sem cor, sem som, sem vida.
São Paulo era somente o resto de algo...
São Paulo era o que sobrara de mim.
Diante de tais fatos, não havia muito á ser feito além de fechar a janela e esperar a luz da rua cair. Acender uma vela ou duas. Um cigarro ou dez. Como uma criatura amorfa e mal nascida esperar pela noite, onde as coisas só piorariam.
Ela chega. Já são 22 horas. Os sapatos estão sujos de lama. O rosto pálido. Sua forma toda magra.
Tiro os sapatos. Beijo-lhe os pés. Tiro o vestido. Os óculos. Coloco-a para deitar. Acendo outro cigarro. Não posso nem falar. A lágrima está presa no olhar.
O suor empapa os cabelos da testa, os lençóis. A febre vem ai, e ela não aguenta ficar deitada.
Salta, veste meus sapatos e meu casaco. Sai porta á fora. É hora de caçar.
Esperei, nem sei por quanto tempo. Talvez o tempo de mais cinco cigarros.
Ela chega e corre para o banheiro. Ela não iria se matar, ela não ia fazer nada além de bater, esticar e mandar para dentro do cérebro. Depois lamberia o cartão e a pia com prazer.
Ela se aproxima e fica me fitando de perto. Tenta entrar pelo meio de minhas pernas. Eu exito. Eu apenas consigo olhar para aquele rosto que um dia foi bonito, que um dia foi meu. Hoje, só me atento para seu nariz comido, seus olhos fundos, e seu rosto cadavérico como o dos miseráveis lá do corredor. Ela achando lindo, mas eu tenho dó. E um pouco de medo.
Ela se sentindo no poder dessa merda toda e ao mesmo tempo se perdendo de vez.
Abraço-a, com vontade de me tornar parte dela.
Não quero viver para vê-la dando torneiradas em traficantes na Júlio de Mesquita. Talvez eu só queira envelhecer com ela aqui dentro, ouvindo Neil Young e Cat Stevens. Salvando-a do que tem lá no corredor.
Eu só quero te salvar.
quinta-feira, janeiro 24, 2013
quando a gente já não acredita mais pertencer a ninguém e a lugar nenhum. para onde ir?
uma vontade de desprender-se de qualquer coisa que possa ser chamada de "vinculo", "ligação" ou "conveniência".
virar tudo pelo avesso e ver de qual lado caem os dados.
que a mediocridade das esquinas não venha a me consumir,
e que eu tenha coragem de ser mais eu mesma do que o espelho dos outros.
coragem.
uma vontade de desprender-se de qualquer coisa que possa ser chamada de "vinculo", "ligação" ou "conveniência".
virar tudo pelo avesso e ver de qual lado caem os dados.
que a mediocridade das esquinas não venha a me consumir,
e que eu tenha coragem de ser mais eu mesma do que o espelho dos outros.
coragem.
quinta-feira, dezembro 27, 2012
2013
apenas peço perdão,
por ter estado ausente, eu não deveria.
uma promessa para 2013?
que venha, vamos lutar. eu vou ficar em pé ao seu lado,
e venha o que vier, seguraremos as barras que nos forem destinadas.
por ter estado ausente, eu não deveria.
uma promessa para 2013?
que venha, vamos lutar. eu vou ficar em pé ao seu lado,
e venha o que vier, seguraremos as barras que nos forem destinadas.
Mãe , Pai
sexta-feira, dezembro 07, 2012
tanto tanto tanto
me conte das madrugadas.
dos livros que leu;
dos porres que bebeu;
daquele que conheceu...
conte-me como ele te levou de mim,
como foi tão simples assim,
como se já não fossemos mais nada.
vai virar e dizer que sobrou algo que ainda nos fizesse parte constante um do outro?
vai se aproximar e dizer que a culpa não é de ninguém, que as peças que perdemos e a engrenagem que seca dentro de nós são detalhes muito naturais.
ainda tenho fome de você.
3-12-12
dos livros que leu;
dos porres que bebeu;
daquele que conheceu...
conte-me como ele te levou de mim,
como foi tão simples assim,
como se já não fossemos mais nada.
vai virar e dizer que sobrou algo que ainda nos fizesse parte constante um do outro?
vai se aproximar e dizer que a culpa não é de ninguém, que as peças que perdemos e a engrenagem que seca dentro de nós são detalhes muito naturais.
ainda tenho fome de você.
3-12-12
sexta-feira, novembro 16, 2012
triste, é.
eu escreveria um livro só sobre o que eu sentia por você.
das coisas que eu pensava que sabia sobre tudo.
mas "cê" sabe,
eu nunca soube nada.
eu só passei pela vida escrevendo, nunca falando;
talvez por isso eu me sinta tão evasiva na maior parte do tempo.
triste, é
alguém que brinca tanto com palavras, simplesmente, não ter muito o que dizer.
desconfio que não sei nem falar, vai ver eu passei todo esse tempo só escrevendo a minha história em cadernos que foram esquecidos pelas gavetas dos cômodos em que dormia.
vai ver tudo na nossa vida seja de fato cíclico, e nós vamos largando nossos detalhes por ai, como meias velhas ou chaves que não trancam nada.
das coisas que eu pensava que sabia sobre tudo.
mas "cê" sabe,
eu nunca soube nada.
eu só passei pela vida escrevendo, nunca falando;
talvez por isso eu me sinta tão evasiva na maior parte do tempo.
triste, é
alguém que brinca tanto com palavras, simplesmente, não ter muito o que dizer.
desconfio que não sei nem falar, vai ver eu passei todo esse tempo só escrevendo a minha história em cadernos que foram esquecidos pelas gavetas dos cômodos em que dormia.
vai ver tudo na nossa vida seja de fato cíclico, e nós vamos largando nossos detalhes por ai, como meias velhas ou chaves que não trancam nada.
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