havia estrelas brilhando no corpo inteiro quando te abracei.
percebi a brisa do vento passar por seus olhos, e senti o balanço do mar dentro de você.
quis ficar ali por horas.
permanecer.
morar.
viver.
ouvindo o som da maré forte quebrar contra meu corpo.
quis criar raízes, estar junto, ser isso por inteiro.
o sol esquenta minhas costas, meus pés estão livres de amarras.
não há mais nada que ninguém possa dizer que eu já não tenha pensado e, de fato, já foi descartado.
o som da sua presença é a música que mais gosto de ouvir.
quero continuar aqui,
onde o mar habita em você, e eu habito nele - você.
quinta-feira, janeiro 28, 2016
sexta-feira, janeiro 22, 2016
sábado, janeiro 16, 2016
primeiros parágrafos
como se fosse o mar. infinito e profundo. calmo. vazio em
sua superfície.
mantinha os olhos fechados, o corpo inerte. eu era o mar e
toda a imensidão.
concentrei-me em ser, apenas. e isso aliviava minha mente.
por
algum momento eu deixei de ser uma pessoa e virei mar.
~
planava no ar a cada passo dado. uma força sutil me levantava
do chão cuidadosamente, de maneira maternal.
a rua de areia, escaldante pela ação do sol, não feria meus
pequenos pés infantis.
e assim eu conseguia aliviar tudo o que pairava sobre minha
cabeça.
focava no surreal e para lá me transportava...
...onde quer que eu estivesse,
eu poderia estar em qualquer outro lugar...
segunda-feira, novembro 04, 2013
um ano e voilà!
Demorei muito para voltar. Passei quase um ano fora. Estive em lugares que nunca quis estar, e não sei bem a razão de ter ido por estes caminhos que no fim não levaram a nada. Vai ver é isso que nos faz enxergar o quanto nossas vidas eram completas, e que viver era demasiado simples,
mas nós adoramos complicar.
Vitimar, sofrer, cair e ficar.
perdi a noção do tempo dentro de mim,
e demorei muito para conseguir sair de lá.
No principio eu já acreditava que estava perdida, que estava longe. Mas a realidade era outra. Creio que no período de minha loucura nunca estive tão conectada ao que realmente sou. Mas o estranho é que me sinto bem em saber que já não sou mais aquilo que eu era há uns anos atrás.
E na transição da loucura para a normalidade, eu me perdi novamente na busca de uma solução para todo o sofrimento que viera anteriormente. E acho que foi ai que um ano passou e eu nem vi, eu nem sorri. O diagnostico premeditado tomou conta de mim e eu deixei de viver a realidade. Eu me tranquei.
E agora sinto a liberdade entrando pela janela, nos dias de chuva e de sol. E apesar da pressão cair com certa frequência, da cabeça balançar e latejar num ritmo estranho e o mundo sob meus pés desaparecer, posso dizer que voltar a vida - a minha vida- é simplesmente maravilhoso. É sublime. É como encontrar alguém que você goste muito e que sabe-se lá por qual razão deixou de ver durante um ano inteiro.
Eu gosto do que sinto...
Eu gosto do que sinto quando vejo que voltei.
mas nós adoramos complicar.
Vitimar, sofrer, cair e ficar.
perdi a noção do tempo dentro de mim,
e demorei muito para conseguir sair de lá.
No principio eu já acreditava que estava perdida, que estava longe. Mas a realidade era outra. Creio que no período de minha loucura nunca estive tão conectada ao que realmente sou. Mas o estranho é que me sinto bem em saber que já não sou mais aquilo que eu era há uns anos atrás.
E na transição da loucura para a normalidade, eu me perdi novamente na busca de uma solução para todo o sofrimento que viera anteriormente. E acho que foi ai que um ano passou e eu nem vi, eu nem sorri. O diagnostico premeditado tomou conta de mim e eu deixei de viver a realidade. Eu me tranquei.
E agora sinto a liberdade entrando pela janela, nos dias de chuva e de sol. E apesar da pressão cair com certa frequência, da cabeça balançar e latejar num ritmo estranho e o mundo sob meus pés desaparecer, posso dizer que voltar a vida - a minha vida- é simplesmente maravilhoso. É sublime. É como encontrar alguém que você goste muito e que sabe-se lá por qual razão deixou de ver durante um ano inteiro.
Eu gosto do que sinto...
Eu gosto do que sinto quando vejo que voltei.
segunda-feira, outubro 28, 2013
terapia.
mas ah,
pediram que eu buscasse a resposta no amago do meu espirito. pediram que eu resolvesse minha vida, como se me pedissem um café, como se me pedissem um abraço.
e olha,
acharam que tudo seria assim, tão fácil. e eu abri a boca, e solucei diante do embaraço, diante do doutor que apenas escrevia no prontuário.
soluçando, não conseguindo mais concluir uma frase. tudo saia e soava desesperado e sem nexo. não me admira que ele somente escrevesse enquanto eu falava de coisas que jamais lhe foram mencionadas.
nós nunca saberemos o que se passa na cabeça de um médico psiquiatra plantonista do sus. taí. o grande mistério de tudo e uma coisa que muito me irrita.
me dê os remédios e vá para seu horário de almoço.
não.
"paciente necessita de terapia."
pediram que eu buscasse a resposta no amago do meu espirito. pediram que eu resolvesse minha vida, como se me pedissem um café, como se me pedissem um abraço.
e olha,
acharam que tudo seria assim, tão fácil. e eu abri a boca, e solucei diante do embaraço, diante do doutor que apenas escrevia no prontuário.
soluçando, não conseguindo mais concluir uma frase. tudo saia e soava desesperado e sem nexo. não me admira que ele somente escrevesse enquanto eu falava de coisas que jamais lhe foram mencionadas.
nós nunca saberemos o que se passa na cabeça de um médico psiquiatra plantonista do sus. taí. o grande mistério de tudo e uma coisa que muito me irrita.
me dê os remédios e vá para seu horário de almoço.
não.
"paciente necessita de terapia."
segunda-feira, setembro 23, 2013
porque o dia se foi.
Com que pretensão levantamos custosamente de nossas camas em dias como esse de segunda-feira nublada, fria e chuvosa, ás 7 horas da manhã, após ter chorado desesperadamente a noite inteira e tendo que lidar consigo mesmo dentro da mente?
Com que pretensão pessoas como você e eu continuam tentando se enquadrar nessa paisagem distópica?
e estou indo. me esvaindo. subindo na atmosfera. evaporando.
Com que pretensão pessoas como você e eu continuam tentando se enquadrar nessa paisagem distópica?
e estou indo. me esvaindo. subindo na atmosfera. evaporando.
quinta-feira, março 07, 2013
o ser.
eu costumava ser outra pessoa. alguém sem medos perturbadores. alguém que não paralisava diante de uma situação que necessitava de uma resolução rápida.
eu costumava ser mais eu do que sou hoje. e o que sou hoje não me agrada.
e como nós vivemos assim? sem agradar a nós mesmos? sem alcançar nossas próprias expectativas.
como nós vivemos, sentindo pena, ódio e arrependimento de ser o que é.
o ser é o que nos move. o ser é o que nos faz levantar todo dia da cama e acreditar que temos o poder sobre nossas vidas, e que tudo correrá bem.
há tempos não sei o que é isso. andar com os próprios pés.
fico querendo fazer da verdade dos outros algo no qual eu deva me apegar para poder viver.
não é bem por ai, certo?
e ando assim. me perdendo em uma cabeça que não é minha. dançando com os pés em passos que não são meus. abraçando com calor e braços que não correspondem ao meu ser.
quero ser
em meu ser
mais eu.
eu costumava ser mais eu do que sou hoje. e o que sou hoje não me agrada.
e como nós vivemos assim? sem agradar a nós mesmos? sem alcançar nossas próprias expectativas.
como nós vivemos, sentindo pena, ódio e arrependimento de ser o que é.
o ser é o que nos move. o ser é o que nos faz levantar todo dia da cama e acreditar que temos o poder sobre nossas vidas, e que tudo correrá bem.
há tempos não sei o que é isso. andar com os próprios pés.
fico querendo fazer da verdade dos outros algo no qual eu deva me apegar para poder viver.
não é bem por ai, certo?
e ando assim. me perdendo em uma cabeça que não é minha. dançando com os pés em passos que não são meus. abraçando com calor e braços que não correspondem ao meu ser.
quero ser
em meu ser
mais eu.
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