domingo, agosto 01, 2010

Um ponto.

É,eu sou isso.
Me descobri isso e ponto.
Sem jeito de consertar.
Sou um punhado de ideias em constante mutação.
Sou cerveja barata no bar da esquina. Sou carreiras bem servidas de.
Não sou boa namorada, bebo e falo besteira, enfio o dedo na garganta, jogo fora todo o dinheiro do mês.
Caio no meio da rua , choro a noite inteira agarrada aos meus joelhos.
Sou criança nas noites solitárias,sou indigente todos os dias,desprezível a maior parte do tempo.
Sou ressaca no domingo medíocre.
Sou vergonha e ilusão.
Coleção de prazeres imediatos e urgentes. Louco,louca,loucos. Sou todos.
Fumo quando dá vontade . Dá vontade de tanta coisa . Tanta coisa que eu sacio só fumando um cigarro forte.
Candidata ao cargo de Pior Ser Humano da Face da Terra. Continuo vivendo e fazendo campanha todo fim-de-semana.
Sorrio muito,o tempo inteiro,e não sei porque .Me apaixono 15 vezes em um só mês .
Por pessoas , por coisas , por palavras .
Escrevo um monte de dor,e escondo-as até de mim mesma.Não quero viver tudo mais uma vez.
E espero. É o que tenho feito em meus dias frente a máquina de costura.
Tento uma reconstrução mas não consigo.
Então digo: Sou isso e sou assim .
Mais um ponto a se costurar.

quarta-feira, julho 28, 2010

um sorriso de malabarista.

Guarda-chuva flutuando pela avenida,tigela vermelha de porcelana sobre os joelhos ossudos.Come cereal sentada no degrau da porta de casa.Claridade das dez horas cegando a vista.
Noite passada ficara encantada com o malabarista de farol que era por si só encantador,com um sorriso trágico pintado na face.
E a tragédia que vivia em seu íntimo era bem diferente daquele sorriso.
O perfume ainda sobrevivia nos punhos da blusa provando que foi real.O perfume lhe trazia uma sensação de conforto e saudade,como se tivesse um porto para ancorar,e então por poucos segundos ela deixava a tragédia esquecida no sorriso inesquecível.
Pára e pensa que a vida nunca fora tão doce...
-Não tão doce quanto o perfume seu.
-Talvez tão doce quanto as pequenas doses de vingança que me empurrou garganta abaixo esta noite,não?

Beijou-a,olhando receoso para os lados.
-Eu não posso deixar de ser feliz.
A vida que era doce em seus detalhes começara a se desconstruir.Sem entender a menina sentiu no peito um vazio e vontade de desabar em lágrimas .
Respirava fundo,queria falar mas algo impedia. Garganta amarrada a força.
-Você está agoniada?
O máximo que conseguiu foi afirmar com a cabeça.Os dedos inquietos,mordidos.
"Estou é agonizante,e dói,e eu não quero mais sentir isso,então pára!"
Emudecidos,pegaram o trem.
Distantes,como nunca antes.
Como o sorriso de um malabarista de farol sem pintura no rosto.
"you know,you must try the new ice-cream flavour,do me a favour,look at me closer,join us and go far,and hear the new sound of my bossa nova..."

quarta-feira, julho 14, 2010

Para Bruna, a minha menina de canelas finas.
Tirei minhas galochas de naipe de baralho de dentro da caixa roxa em que estavam guardadas.
Vou colocá-las e ir encontrar a menina mais linda do mundo.
Passar o dia frio e de garoa com ela conversando sobre os dissabores de nossos desamores,
Ou sobre os sabores de nossos amores?
Talvez as duas coisas.
Tomar cerveja gelada mesmo que congele os dedos finos.
Rir rir rir e chorar um pouco .
Tatuar botões de roupa na pele para eternizar o encontro,o acaso que uniu, e tudo o que temos vivido.
E sobrevivido,acima de tudo.

segunda-feira, julho 12, 2010

uma semana.

Dois cigarros. Quatro cigarros. Logo um maço. Dois isqueiros amarelos. O que você me deu e que já nem funciona mais,e eu ainda guardo . E desde então só tenho conseguido comprar isqueiros amarelos . Loucura.
Outro maço e você não vinha .De um lado para o outro eu andava,e me perdia no pequeno espaço que me limitava. Trianon-Masp. Você não aparecia. Duas horas ou mais.No meio daquela avenida e daquelas pessoas sem rosto. Escurecia.Perdi a conta de quantos cigarros fumei à sua espera.
Anoitecia,e você não vinha...
E me doía.
E eu só queria ir para casa e dormir por uma semana. Ficar uma semana sem lavar os cabelos. Uma semana com essa camiseta preta e cortada toda torta. Uma semana eu quero ficar,sem desamarrar os cadarços puídos do meu tênis vermelho. Uma semana parar sarar estes hematomas feios de meus joelhos...
Olhar perdido no chão,o que mais em uma semana?
E se aproxima,quente;
- Você tem um cigarro para me arrumar?
Te olhei,como se já não acreditasse em mais nada. E tive vontade de gritar com minha voz rouca que fumei insanamente incontáveis maços de cigarro enquanto esperava o eterno encontro de todos os dias ...
Mas não.
-Parei de fumar,lembra?
Ela sorriu,e apagou todo o resto.
Uma semana eu vou ficar,
eu vou ficar ao lado dela.

quarta-feira, julho 07, 2010

vamos pensar juntos?

- então tá, te ligo .
sensação estranha ao desligar o telefone .
como se durante o telefonema a alma fosse inteiramente sugada para o outro lado da linha.
v a z i o , é o que resta. e o silêncio dentro do quarto enquanto na rua as pessoas estão em festa.
deita-se ao lado de Caio F. , Andy Warhol,e seus dois gatos. todos espalhados na desordem de sua cama. mas é incomparável ao caos que toma conta de sua mente. é inevitável não tocar o inferno em tardes como esta, em que sabe que irá beber e dançar enlouquecida a noite inteira,mas que lhe faria bem apenas deitar-se ao lado dele e ouvir músicas que ninguém gosta,ou assistir a filmes que ninguém conhece, e conversar sobre as personalidades de Dylan .
o que é esse sentimento de que nada mais será pleno e completo como antes?
sentimento estranho perturbando,apagando o belo e deixando só a poeira que cega os olhos e faz brotar lágrimas.
poeira mostrando que estamos imóveis,e que não deve ser assim.
poeira revelando que a inocência e o encanto estão escondidos e quase apagados por conta de coisas mal resolvidas,sentimentos e atitudes de ambos que corroem por dentro.
e talvez sentir isso junto deva ser pior do que aguentar tudo sozinho. tolice essa nossa de fingir estar bem .
a voz ao telefone era distante; está longe,quando deveria estar junto !
em que ponto chegamos de achar uma camisa de força a melhor das invenções?
vamos pensar juntos porque, meu amor, é bem mais benéfico e bem menos venenoso do que sofrer junto .
e podemos sentir juntos algo que o valha , também.

segunda-feira, junho 28, 2010

em três de junho de dois mil e dez

somente para aqueles que acreditam .
para os superlativos ,
e raros.



eu queria todos e todas as pequeninas partes ,os fragmentos do mundo que eu tive a chance de encontrar por onde andei . eu queria todos . agrupados no mesmo espaço mas separados na distância dos corpos especiosos que dançam abaixo das luzes multicoloridas dos lugares da cidade onde ninguém dorme aceitando a vida que é imposta . eu queria cada ser daqueles tantos que eu conheço , mas cada um daqueles que realmente fazem alguma diferença , aqueles que movem o mundo , não só o meu mundo , mas ele todo.
aqueles que me ensinaram , outros que complicaram e causaram certa dor mas que eu não desistiria nunca de estar ao lado: "-eu gosto de estar ao seu lado... "
...por mais um gole , ou por mais um choro . pela última confissão ou pelo primeiro beijo . por noites intermináveis e manhãs bonitas - de garoa ou sol , não importa -, ou por aquelas noites que nos arrependemos pela manhã de ter vivido .

eu nem quero dominar o mundo , para que? mas a ideia de buscar algo sem nome ,algo desconhecido , algo bonito junto com vocês é o que me faz seguir ;
então sigo no foguete amarelo que diz : " - esta noite dominaremos o mundo . "
se dominamos?
eu juro que não sei ...
a certeza que tenho é de que estou cansada em todos os sentidos , cansada de buscar sentidos , e todas as partes de mim gritam estourando as barras de madeira que faltavam ser quebradas de minha gaiola .
quebradas constantemente, assim como as partes de mim que levam embora .
e vem essa vontade de se enveredar por um caminho que ninguém mais conheça .

eu quero ir embora.
me leva embora .

" porque eu só quero parar de fingir não ver no dia um caminho cada vez mais longo . não posso continuar a acreditar que a vida seja algo tão distante ..." dance of days .

quinta-feira, junho 17, 2010

desconsolo .

o gato no sofá , o abajur solitário, o cigarro queimando no cinzeiro, um filme preto-e-branco sem som , eu a escrever em folhas amassadas pelos corpos ...
jogados ao chão misturavam-se os escritos e nós , os escritos sobre nós , que escrevi para nós , sobre as horas em que fomos simplesmentes nós ;
nós atados .

as horas em que o relógio não era capaz de contar . o tempo era sempre nosso .
e agora consome-se o tempo em ausência de corpo e sensibilidade e sentimento .
um beijo seco na Consolação , sem palavras mas ainda assim dizendo :

- não .