quarta-feira, fevereiro 16, 2011

station to station

E então, como estão e como são as coisas desse lado da plataforma?

Faz frio? Trás angústia? Pois digo angústia porque sinto, entende? Quer dizer, estar indo para o lado oposto é amedrontador.

É um medo de não saber ordenar os passos, um medo de me perder, pegar o metrô errado, e depois o trem, e ir parar longe.

E se eu dormir? Me diz se eu dormir, o que acontecerá?

Vou perder a estação, o local combinado, vou ir parar longe também, não é?

Então diga-me que o caminho é seguro, e que você sabe para onde está indo.

Mas me diz a verdade! Diz que eu quero acreditar, que também está perdido e precisa se encontrar,

Quer um porto para ancorar...

Diz que o encontro, o porto, é tudo que procuras nesse subsolo frio, quieto, cheio de antipatia,

Cheio de pressa, de gente,

São Paulo.

É vazio, é o buraco, é fim.

 

terça-feira, fevereiro 15, 2011

prólogo.



- Me devolve a sua blusa que é minha?





-Não, porque aqui faz frio, lembra?





- O seu frio é impossível de ser aquecido. Você precisa de muito mais do que minha velha blusa de lã para se sentir bem. Seu frio está em você, e apenas em você.




quarta-feira, dezembro 29, 2010

23.O3.2O1O

É necessário ter um sentimento que não seja tão superficial para entender minhas metáforas.
É necessário ter sensibilidade, e perceber que sou até simples demais, direta demais, mas você acha que existe um enigma por detrás das frases ditas, mas ás vezes não tem.
Chego a ser tão óbvia que até me repugna.

Tudo o que encanta termina a meia-noite, num canto escuro qualquer, resta tudo o que poderia ter sido e não foi, e que ficou perdido pelo meio do caminho sem um fim.

-Se livra disso o quanto antes, antes que seja tarde, antes que o sentimento corroa suas engrenagens e te tire tudo isso de bonito que você tem e que eu gosto. Se livra antes que a mágoa leve embora esse seu sorriso de dentes pequenos que eu acho lindo. Se livra!

segunda-feira, novembro 15, 2010

é o ápice da paranóia psicológica.
aquilo ali que se aproxima não é nada normal, é algo do mal.

esse copo tem gosto de ressaca. e o mal-estar se concentra no estômago, e a cabeça se concentra no caminho fétido e vazio do calçadão.
estava tão longe de casa que se sentia pior. os braços cruzados, abraçando o próprio corpo.
uma frase não lhe sai da cabeça:

" por me deixar respirar, por me deixar existir... "

o amargo, o enjoo, o líquido amarelo subindo e descendo pela garganta, o cinzeiro transbordando, cheio, talvez seja a hora de se deitar entre estes lençóis sujos...
e de se entregar a sargeta, acordar na valeta, com as garrafas ao chão.

sábado, setembro 11, 2010

um café para dois, de dois reais, por favor.


vou esperar o anoitecer aqui, sentada, nesta praça .
vou esperar alegre pois vou te encontrar e vou tomar um café bem quente e forte com você.
vou ficar aqui, e pensar, e ler, e fumar o meu cigarro .
mas eu já nem consigo fumar um desses inteiro sem você, já começo a sentir sua ausência, uma saudade de compartilhar esse pequeno prazer ...
é estranho andar pelas ruas com as mãos soltas,
e o corpo fica procurando o corpo do outro para o atrito de ombros,procurando sua companhia.
ombro a ombro, dedos enlaçados, juntos.
sem dinheiro no bolso, só a vontade de levar essa história até além daqui .
só a vontade de viver pra sempre junto, de dividir qualquer coisa , mesmo sem saber o que, mesmo sem ter o que .
mas enquanto isso,
vamos divindo este copo grande de café .




terça-feira, agosto 03, 2010

"- Você já tinha imaginado que algum dia a gente fosse ficar junto?"
Pelo terceiro ano consecutivo,consegui sobreviver a mais um Dois de Agosto sem nenhuma dor.
Três anos,e justamente nesse dia,vem á mim como magia,me chamando de linda,dizendo que precisa.

Três anos,o bastante para deixar de acreditar nessa história de querer para sempre,
essa história de "- Não-se-preocupe-vai-ficar-tudo-bem-para-nós" .
essa história de esperar.
Três anos esperando, já perdeu a cor essa história,
e esse agosto ;
mas ainda tem gosto ,
de alguém .












"I'll hold you for as long as you like,
I'll hold you for the rest of my life..." McCartney.

domingo, agosto 01, 2010

Um ponto.

É,eu sou isso.
Me descobri isso e ponto.
Sem jeito de consertar.
Sou um punhado de ideias em constante mutação.
Sou cerveja barata no bar da esquina. Sou carreiras bem servidas de.
Não sou boa namorada, bebo e falo besteira, enfio o dedo na garganta, jogo fora todo o dinheiro do mês.
Caio no meio da rua , choro a noite inteira agarrada aos meus joelhos.
Sou criança nas noites solitárias,sou indigente todos os dias,desprezível a maior parte do tempo.
Sou ressaca no domingo medíocre.
Sou vergonha e ilusão.
Coleção de prazeres imediatos e urgentes. Louco,louca,loucos. Sou todos.
Fumo quando dá vontade . Dá vontade de tanta coisa . Tanta coisa que eu sacio só fumando um cigarro forte.
Candidata ao cargo de Pior Ser Humano da Face da Terra. Continuo vivendo e fazendo campanha todo fim-de-semana.
Sorrio muito,o tempo inteiro,e não sei porque .Me apaixono 15 vezes em um só mês .
Por pessoas , por coisas , por palavras .
Escrevo um monte de dor,e escondo-as até de mim mesma.Não quero viver tudo mais uma vez.
E espero. É o que tenho feito em meus dias frente a máquina de costura.
Tento uma reconstrução mas não consigo.
Então digo: Sou isso e sou assim .
Mais um ponto a se costurar.